quinta-feira, 24 de julho de 2014

A "oposição virtual" e a cultura em Itararé

por OSVALDO RODRIGUES JUNIOR



Já virou praxe na gestão Cristina Ghizzi, que esta a frente da Prefeitura Municipal de Itararé desde janeiro de 2013, o denuncismo ou terrorismo “militante” contra a administração na imprensa local e, principalmente, nas redes sociais. 

O cancelamento do evento “A Festa II”, promovido pela empresa Pepê Eventos, mais uma vez deixou claro o discurso desonesto e desprovido de conhecimentos básicos sobre administração pública que polui o Facebook. 

Em postagens feitas nesta rede social, membros da “oposição virtual” à administração chegaram a sugerir que o cancelamento do evento foi responsabilidade da prefeita que não pagou a primeira parcela do 13º salário em junho de 2014: 

"In casu", o funcionalismos que teria reservado ou pensando em reservar parte de seus ganhos (13º salário) não poderiam comparecer.
O comércio que poderia estar caminhando melhor, também esta de certa forma passando um de seus piores momentos.
Logo, uma bola de neve, e ou até mesmo efeito cascata vai surgindo e reflete nesta situação ANUNCIADA ou DECLARADA! 

Com a “riqueza de argumentos” de quem chegou à conclusão de que todo o funcionalismo público iria “A Festa II” e isso “bancaria” a realização do evento, a “oposição virtual” delegou à prefeita a responsabilidade pelo cancelamento de um evento privado como se este fosse responsabilidade pública. Tal discurso evidencia o caráter denuncista de uma “oposição” vazia de propostas de solução aos problemas do município. 

Outro elemento perceptível nas postagens publicadas no grupo do Facebook intitulado “A Festa II” e em postagens individuais, foi a ausência de espaços de lazer e eventos culturais no município de Itararé. 

Antes de trazer os dados da coordenadoria de Cultura do município de Itararé, é fundamental entendermos o que significa o conceito de cultura. Segundo Eagleton, o conceito de cultura inicialmente significava o cultivo por meio do trabalho agrícola. Com as mudanças provocadas pela Revolução Industrial e a migração do campo para a cidade, cultura passou a significar o cultivo das mentes. 

Dentre as variadas concepções de cultura, a nova-esquerda inglesa, movimento intelectual inglês originado na década de 60, discute a definição deste conceito. Raymond Williams, sociólogo inglês, define três categorias de cultura, a ideal – processo de aperfeiçoamento humano; a documental – obras intelectuais; e a social – modo de vida de uma determinada sociedade dentro de um determinado espaço e tempo. Desta forma, podemos compreender por cultura desde as obras presentes na Biblioteca Pública Municipal Doutor Armando Salles até a festa de aniversário da cidade, a popular “Festa do Peão”. 

Desde o início da gestão Cristina Ghizzi, várias foram as conquistas no âmbito cultural. Em relação à parte estrutural podemos destacar a própria Biblioteca pública Doutor Armando Salles. O antigo prédio do Centro Cultural que abrigava o acervo bibliográfico e documental sofria de infiltrações e problemas estruturais. Por esse motivo, a biblioteca foi toda reorganizada e instalada em espaço adequado a atingir a sua finalidade. Ainda no âmbito material ou estrutural, o Teatro Municipal Sylvio Machado teve a sua pintura concluída depois de 26 anos da sua fundação. 


Porém, não foi só na questão estrutural que houve mudança na gestão cultural do município. As principais foram as parcerias firmadas que acabaram com o “marasmo” cultural do município, além de onerar muito pouco os cofres públicos. Podemos citar o Circuito Sesc de Artes que trouxe peças teatrais, atividades circenses e shows musicais em parceria com o Serviço Social do Comércio de São Paulo – SESC/SP. O programa “Pontos Mis”, parceria com o Museu da Imagem e do Som de São Paulo que disponibiliza gratuitamente um filme por mês para escolas e demais interessados. As oficinas culturais de diferentes linguagens. O Circuito Cultural Paulista que trás para Itararé espetáculos de dança, música e circo com público estimado total de dois mil espectadores só em 2013. 



Os artistas itarareenses também foram beneficiados pela política cultural do município. Em junho de 2013 ocorreu a edição local do Mapa Cultural Paulista com a escolha dos representantes para a fase regional. Subvencionados pela Prefeitura, artesãos locais participaram do “Revelando São Paulo” e da Feira Regional de Artesanato e Geração de Renda - FEAGER -, em Sorocaba. Através de parceria com as Faculdades Integradas de Itararé ocorreu a I Feira de Literatura Itarareense. Ainda a exposição “Itararé: nosso olhar” levou para o Paço Municipal obras de arte de renomados artistas locais. A Associação de Aprendizado Musical de Itararé e o Coral Santo Antonio, declaradas “de utilidade pública” pela Câmara de Vereadores, são mensalmente subvencionados pela Prefeitura. O 1º Encontro de Skate e o Campeonato Interegional de Skate abriram espaço para as bandas de rock da cidade. 

Festas “populares” como o Carnaval, o Dia das Crianças, a Festa de São Pedro e o aniversário de emancipação político-administrativa do município também foram comemorados. No carnaval houve o “Carnaval da Criança”; no dia das crianças a “Matinê da Criança”; a festa de São Pedro foi celebrada com viola caipira, rock, pop, sertanejo universitário e música gaúcha; e por fim, o aniversário do município foi comemorado com a apresentação da Big Band do Conservatório de Tatuí. 

Em relação à história do município foi criado o programa “Memórias Que o Rio Cavou” que publica mensalmente artigos de acadêmicos e historiadores sobre a história de Itararé, que podem ser consultados gratuitamente na internet ou na Biblioteca Pública Municipal. Foi firmada parceria com o curso de Licenciatura em História das Faculdades Integradas de Itararé para a realização da III e IV Semana de História. Além disso, foi recuperado o desfile cívico do dia 28 de agosto em comemoração ao aniversário da cidade. 

Para fechar o ano de 2013 com “chave de ouro” o Teatro Municipal Sylvio Machado recebeu a Orquestra Jazz Sinfônica de São Paulo. 

Os eventos realizados permitem uma aproximação com a discussão de Williams, no sentido de que relacionam as três categorias de cultura propostas por este autor. A dimensão social está presente nas festas “populares” e eventos que celebram a arte e a história do município. No que diz respeito à dimensão documental, podemos citar a recuperação da biblioteca municipal e do acervo público municipal. Na dimensão ideal podemos destacar a existência de eventos de entretenimento e formação que permitem o “aperfeiçoamento humano” indicado por Raymond Williams. Portanto, a gestão cultural vem apresentando uma dinâmica de trabalho que permite evidenciar a existência de espaços e eventos culturais em desacordo com o discurso denuncista das redes sociais. 

No tocante as festas “populares”, com a proximidade do mês de agosto, a popular “Festa do Peão”, realizada para comemorar a emancipação político-administrativa do município, voltou à pauta de discussões. Em 2013, devido a vários problemas burocráticos envolvendo o processo licitatório, a festa foi cancelada pela Prefeitura Municipal. O cancelamento foi motivo para acalorados debates nas redes sociais entre aqueles que queriam a realização da festa e os que consideraram acertada a decisão de preservar os cofres públicos da “gastança”. Isso, porque, na gestão anterior, no ano de 2012, foram gastos R$ 500 mil reais para a contratação de shows para a comemoração de 119 anos da cidade. 

Tão logo veiculou-se a notícia de que a “Festa do Peão” de Itararé será realizada neste ano de 2014, mais uma vez os “patrulheiros virtuais” passaram a atacar a prefeita, alegando o uso de dinheiro público para a sua realização: 

QUE BOM, NÉ? VAI TER FESTA DE PEÃO...A CIDADE TÁ TODA ARRUMADINHA, NÃO TÁ FALTANDO NADA, TÁ TUDO EM ORDEM... POIS É, COMO DIZ O VELHO DITADO: TUDO COMO D'ANTES NO QUARTEL DE ABRANTES...FALA SÉRIO POVO, AÍ METERAM O PAU NA DILMA PORQUE ELA FEZ A COPA SEM DINHEIRO, E QUANDO É A NÍVEL MUNICIPAL NÃO TEM PROBLEMA? E AS RUAS A SEREM ASFALTADAS, E AS NECESSIDADES DO POVO? COMO FICAM? E O COMÉRCIO DA CIDADE QUE PERECE DIA A DIA A OLHOS VISTOS? DEPOIS DA FESTA A GENTE PENSA NISSO? NÃO SOU CONTRA A FESTA EM SI, MAS FESTAS A GENTE FAZ QUANDO PODE, NÃO É MESMO? QUANDO ESTÁ TUDO EM ORDEM...BOM, É ISSO!!! DEPOIS VEMOS AS RECLAMAÇÕES POSTERIORES A FESTA. 

Porém, a Festa do Peão de 2014 será realizada mediante parceria público-privada entre a Prefeitura Municipal de Itararé e empresários locais e regionais, o que possibilitará a realização da tão esperada festa popular sem ônus para o erário público, ou seja, não haverá dinheiro público na realização da festa. A pergunta que fica para essa “oposição virtual” é: Qual a melhor opção? Não realizar a “Festa do Peão” ou realizar uma parceria público-privada para realizar a festa sem onerar os cofres públicos? A resposta parece óbvia. 

Abraços, 
Osvaldo. 

5 comentários:

  1. O texto é muito bom. Segue um raciocínio plausível e coloca questões a serem levantadas e debatidas por aqueles que votaram contra ou a favor.
    Mas não se pode esquecer que durante a tumultuada campanha, o discurso petista procurou alinhamento com a preferências dos eleitores do então prefeito, já prevendo ,o embate final.E foi aí que a realização do evento Festa do Peão , nos moldes tradicionais, os quais agradariam a opinião dos destacados eleitores, foi proposta em palanque.Estratégia errada e desesperada?Perda de foco, e desvio de rota das convicções ,até então confirmadas no plenário da Câmara, quando pertencia a vereança?Ghizzi se perdeu.Perdeu companheiros.Perdeu credibilidade.Perdeu prestígio.Perdeu a grande chance de realmente entrar para a história.Triste e patético fim de um projeto sem alicerce, e sem comando.Não faço aqui um ataque, manifesto apenas minha decepção, assim como os milhares que acreditaram no sonho.

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  2. Osvaldo Rodrigues Junior25 de julho de 2014 14:26

    Prezado, infelizmente a prefeita recebeu o ônus dos "desgovernos" que assolam Itararé há décadas. Desta forma, no ano passado começou procurando estruturar a prefeitura. Pagou dívidas da antiga gestão e conseguiu a Certidão Negativa de Débitos - CND, o que possibilita novamente o recebimento de verbas pelo município. Recuperou a credibilidade perante o comércio local. Neste segundo ano de mandato, continua o processo de reestruturação. Temos uma creche sendo construída no Jardim Alvorada que terá 240 vagas. Uma creche que começará a ser construída no Jardim São Paulo. Reformas nas Unidades Básica de Saúde do Cruzeiro e do Bairro Velho. Construção de uma quadra coberta na Escola Municipal Presidente Juscelino Kubistchek de Oliveira. Reformas das quadras de outras escolas municipais. Porém, para que os resultados comecem a aparecer é necessário paciência. É muito difícil transformar uma cidade sucateada há décadas em uma cidade desenvolvida em apenas 1 ano e meio de governo. Por isso, continuo acreditando em uma Itararé melhor e acredito que estamos no caminho certo.

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    1. Osvaldo, agradeço a gentileza pela resposta.Compreendo a dificuldade no processo de reestruturação da máquina pública, e também não concordo com muita coisa que a tal "oposição" publica, posta, ou fala em rádio em nossa cidade, e reconheço, ao meu ver, que não há indícios de corrupção nesse governo.Mas o que me choca, e creio também surpreende negativamente muitos (muitos mesmo!) de nós eleitores que acreditamos nesse projeto, é que alguns pontos básicos, e fundamentais, foram praticamente esquecidos.Ou simplesmente deixados para um segundo momento, o que nos parece, inaceitável, Senão vejamos: um dos pilares dos governos petistas é o orçamento participativo, e foi justamente esse discurso que nos encantou e trouxe esperanças ao eleitorado de Ghizzi.E o que nós vimos até hoje?Nada de reuniões, nada de mobilização popular.Assustados estamos com a apática política social, totalmente adversa do proclamado, no horário eleitoral.Sabemos , e é fácil conferir, que municípios de menor relevância, governados pelo PT, aceleraram o desenvolvimento econômico e social com base nos programas do Governo Federal( e o processo ocorre desde o primeiro ano de mandato).E sabemos que existem recursos para todas as áreas, há caminhos.Mas é preciso conhecê-los, compreendê-los e colocar tudo para funcionar aqui.E não é impossível.Cito a postura ,e o trabalho do Coordenador Murilo como um bom exemplo: sabe o que existe, como acessar e como fazer funcionar.E assim , temos aqui a cultura "em movimento" aliás, Murilo fez muito mais que seguir o plano de Governo de Cristina, ele avançou.Mas o que infelizmente assistimos aqui, é uma prefeita que apresenta claramente uma grande dificuldade em comandar. e isso é escancaradamente óbvio!Cristina não tem perfil de gestora!Ela tem enorme dificuldade em dirigir pessoas, dar ordens e coordenar seu próprio secretariado, nos parece que ela não cobra a atitude petista, a essência dos gestores petistas...e assim ,sua equipe não responde.A cidade já sabe disso.Assistiu ao episódio da "fritura" de um de seus secretários pela Câmara, pela imprensa, internet , pelos colegas secretários e até pelos funcionários do setor que ele comandava ,e somente depois de ter de engolir e aceitar a pressão da Câmara, o substituiu , transferindo-o para outro departamento. Ghizzi não estava preparada para a função.Falta tato, habilidade política e principalmente atitude.
      Em seus pronunciamentos, o discurso do "somos um governo honesto" ou "não roubamos" ou "não somos corruptos" já não é, e nunca foi, suficiente para justificar a inércia administrativa que impera por aqui. Ser " honesta" é o mínimo que esperamos, afinal votamos nela por causa disso "também", mas queríamos, e esperavá-mos muito mais.A perspectiva de mudança é vaga, porque a atitude de má gestora, que demora, é lenta para assimilar situações e em seguida tomar decisões, (outra coisa que parece ser muito difícil À ela,) nos revela um cenário desanimador.Por isso, tenho a infeliz certeza que Ghizzi, falhou.E nosso sonho morreu. A teimosia, a ideologia perdida numa janela do tempo e do espaço, a insegurança, o ódio ,e a desconfiança de tudo e de todos a tornam uma 'chefe', e nunca, com certeza uma líder.E não será nas mãos dela que Itararé reencontrará o caminho da prosperidade.Infelizmente.

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  3. Gostei ai dos comentários, o nível é bom.Sem a baixaria que encontramos nas redes anti-sociais.

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  4. Também gostei do que li aqui.Debate sério e tem conteúdo.Sem precisar ofender ninguém para sobrepor a sua opinião.Vou recomendar.

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