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terça-feira, 6 de outubro de 2015

O que a oposição não disse sobre o governo Cristina

por MURILO CLETO



Em quase 3 anos de Cristina Ghizzi à frente do Paço Municipal em Itararé, muita coisa se disse a respeito de seu governo. Indiscutivelmente, coisa demais. E, até que se prove o contrário, sua gestão vai ser lembrada como uma das mais corretas nas últimas décadas. Talvez seja preciso que os cofres públicos voltem a produzir compras superfaturadas, desrespeitando todas as regras previstas pela Lei de Licitações, pra que isso seja reconhecido. Talvez, porque a histórica relação do poder executivo com a imprensa local e com lideranças espúrias é suficientemente conhecida dos cidadãos da pedra que o rio cavou.

Da diplomação de Cristina, em dezembro de 2012, até hoje, a oposição soube articular muito bem o que dizer. Com jornais e rádios de sua propriedade ou de correligionários, disse que a prefeitura havia cortado casa de atendimento a pacientes de câncer, remédios populares, programas educacionais, quase sempre sem o menor fundamento. 

Os prejuízos dos boatos lançados são incalculáveis. Houve pais que se confundiram com o horário de aulas dos seus filhos por causa de um deles. Outro usou de má-fé uma notícia sobre reajuste do ITBI, transformado em IPTU, estampando na capa de jornal um suposto aumento de 500%, também absolutamente irreal. A lista de feitos do parlatório protagonizado pela oposição itarareense é tão grande que precisaria de uma reflexão própria, o que não é o objetivo deste texto.

O que a oposição não disse sobre o governo Cristina tem muito a ver com o seu potencial, anunciado por 4 anos de atuação no legislativo e algumas décadas junto a movimentos sociais e ao próprio partido, ainda enquanto alternativa distante do poder no município. Cristina se forjou na rua. Sentou com representantes de categoria e de bairro. E nada disso, nem de longe, aconteceu a partir do momento em que assumiu a prefeitura.

No início do governo, uma boa mas mal articulada tentativa de aproximação com os cidadãos aconteceu através do projeto Prefeitura Itinerante. Boa, porque era a oportunidade de contato entre o executivo e os moradores de bairro em alguma situação de vulnerabilidade - quem vive em Itararé sabe que não são poucos, considerando todas as carências possíveis de infraestrutura. Mal articulada, porque, além de ter trazido pouco ou nenhum retorno aos moradores das regiões que o receberam, foi extinta rapidamente. E também sem nenhum esclarecimento.

Grande parte da retração das atividades da prefeitura guarda relação com a escassez de recursos. Todo mundo que lida com o poder público, em alguma das esferas, sabe. Mas quem mora numa região sem creche, posto de saúde, área de lazer, asfalto, esgoto, tanto faz, nem sempre sabe. E não tem obrigação nenhuma de saber. Uma das maiores promessas de campanha de Cristina era o orçamento participativo, que nunca nem chegou perto de acontecer. Que não seja a ocasião de uma revolução nos investimentos do município, o orçamento participativo poderia ser, em primeiro lugar, a sua otimização e, ainda, uma oportunidade de diálogo que escancarasse melhor os problemas sofridos pela administração. 

Com a crise, os municípios estão quebrados. E um dos motivos pelos quais rigorosamente nada é feito a respeito disso, considerando a importância deles na prestação de serviços públicos básicos, é a ausência de uma consciência a respeito de suas responsabilidades previstas no pacto federativo diante da distribuição, injusta e desequilibrada, da carga tributária no país. Isso ajuda a explicar por que tanta indignação com o Planalto, afinal quem se cobra quando falta alguma coisa? O governo federal, claro, além das prefeituras, que frequentemente têm levado o ônus sobre serviços deficitários de outros entes. No verão de 2013/14, não foram poucas as tentativas de achincalhar a administração municipal diante da falta d'água, uma responsabilidade estadual.

Tudo isso é motivo a mais pra que o diálogo entre prefeitura e população seja mais próximo. Além de evitar cobranças indevidas, intensifica as que são necessárias e evita blindagens quase naturais, como a que acontece hoje com o governador Geraldo Alckmin. Muito do que não se diz a seu respeito tem a ver com o fato de que segurança pública, boa parte da educação e da saúde, saneamento básico e distribuição de água não são serviços reconhecidos como estaduais. E isso não acontece só em São Paulo.

Em Itararé, algumas iniciativas ajudaram a contornar um problema inicial de absoluta inoperância de comunicação, como a criação da imprensa oficial, que circula semanalmente divulgando ações do executivo municipal. A presença frequente de secretários e da própria prefeita na Rádio Clube também contribuiu, mas ainda é pouco. Existe um erro comum que contagia o poder público e que pressupõe a comunicação como um setor exclusivamente ligado à divulgação/propaganda. E isso não é verdade. Comunicação também é troca, detecção de problemas e capacidade de superá-los mediante esforços conjuntos. E nada disso acontece por aqui. Essa é uma gestão - e isso não se encerra com a figura de Cristina - presa no interior de gabinetes.

É justamente em períodos de crise que a comunicação com a população precisa ser intensificada. Menos recursos deveria ser significado de melhor aplicação. E isso também envolve capacidade de diálogo, com o objetivo de prevenir investimentos descartáveis. Exemplo disso são as alterações no trânsito - muito boas, em sua grande maioria. Mas, sem diálogo, algumas delas foram recuadas por pressão de moradores, o que muito provavelmente não aconteceria se houvesse o hábito de chamá-los para audiências públicas que discutissem os impactos das mudanças. A rua 24 de outubro, que virou mão única e depois voltou ao corriqueiro é exemplo disso. No Natal de 2013, uma ótima medida bloqueou o trânsito para carros durante a noite, incentivando o uso da rua por pedestres e colaborando inclusive com o comércio. Durou dias. E ninguém era capaz de defender algo que desconhecia por completo, porque a administração não se deu ao trabalho de perguntar qual era o desejo das pessoas, depois da apresentação de algum estudo, alguma hipótese, qualquer coisa. 

Alguém há de contra-argumentar, e com razão, que a participação das pessoas em audiências é ínfima. E isso é verdade. Mas, também, por outro lado, não tem como a prefeitura deixar mais claro que não faz questão da presença de ninguém nestes eventos. Na terça-feira passada, dia 29, a Câmara Municipal foi palco para a apresentação do último balanço quadrimestral de gastos. Mais uma vez não foi ninguém. E por quê? Porque este não é um dos hábitos do cidadão itarareense, mas fica muito difícil de reverter este quadro com uma divulgação tão desdenhosa. Não houve uma simples nota elaborada pelo executivo municipal a ser distribuída para os jornais locais que chamasse atenção para o encontro. Nem o site do município o fez. Nem o seu perfil no Facebook - sim, a prefeitura não tem uma página, e sim um perfil. Na imprensa oficial, perdido no meio dos atos oficiais, um comunicado minúsculo, obrigatório por lei, avisava. 

E isso parece bastante sintomático, como também foi o lamentável episódio de encerramento da Feira da Lua, que aconteceria na quarta-feira passada. Diante de um mau tempo bastante questionável, a Secretaria de Agricultura decidiu transferir a apresentação de Claudinho e Paulo Pipoca para a próxima semana, enquanto ainda era o início da tarde. O detalhe é que ninguém comunicou a Coordenadoria de Cultura, responsável tanto pelo pagamento dos artistas quanto pela divulgação via mídias sociais do evento. Resultado: ninguém ficou sabendo.

Enquanto isso, a oposição estava ocupada com outras coisas. Desde o início do mandato, os vereadores, obcecados em "provar o contrário", encaminharam 126 pedidos de informação ao gabinete. Além de intimidar, seu objetivo é travar a administração, que precisa parar tudo o que está fazendo para responder questões em sua grande maioria inócuas. Além disso, também há as indicações, que são basicamente uma maneira de mandar fazer sem dizer como - sem previsão orçamentária, sem nada. Alguém se lembra da Comissão Especial de Inquérito que quase foi aberta para investigar a cor que se pintou o cemitério municipal? Parece mentira, mas não é.

Enquanto isso, a oposição injeta dinheiro em guerrilha de internet, que cria montagens e perfis falsos pra disseminar ódio explícito à administração e aos membros da equipe de governo, além de expor sua intimidade. Em quase 3 anos de um governo sabidamente impopular, a oposição não foi capaz de apresentar um único projeto alternativo. 

E, se a oposição nunca falou sobre a comunicação do executivo, não com ela, mas com a população, alguém há de se perguntar: por quê? Ora, parece muito claro. Quanto menor o diálogo do governo Cristina com a população, menor a sua capacidade de ação e menor o seu respaldo. Quanto menor o diálogo, maiores as chances de dependência da Câmara, que faz uso de suas atribuições investigativas para pressionar o executivo e garantir concessões em nome da governabilidade. Isso, claro, além da permanência da impopularidade de Cristina, hoje aparentemente irreversível. Qualquer semelhança com Brasília não é mera coincidência.

Se Itararé sobrevive ou não ao jogo, só o tempo vai responder. Mas, até aqui, o município paga sozinho essa conta. Resta saber até quando.


Abraços, 
Murilo

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Cunha espanou

Talvez seja cedo demais pra decretar o seu fim, mas aquele Eduardo Cunha espanou. Porque é também tarde demais pra que ele saia ileso da escolha crucial que o tirou da sombra pros holofotes

por MURILO CLETO



Até bem pouco tempo atrás, a maioria dos analistas políticos devia se perguntar, ainda que em silêncio, o que seria desta nova versão de Eduardo Cunha anunciada por um mais que turbulento 2015. Homem dos bastidores, apareceu ainda nos anos 90 sob a tutela de Fernando Collor na presidência da Telerj e partir daí passou a ocupar importantes cargos de confiança, como o comando da Companhia Estadual de Habitação na gestão Anthony Garotinho. Nesta época, já investia na aquisição de rádios evangélicas.

Em 2002, Cunha foi eleito pela primeira vez deputado federal pelo Rio de Janeiro já com a legenda do PMDB. E, de lá pra cá, permanecia um ilustre desconhecido, à exceção das empresas que frequentemente o reelegem a partir de então com aporte financeiro estratosférico. O investimento (há quem chame de doação) chegou a quase R$ 7 milhões declarados.

Segundo pesquisa do Datafolha do último mês de junho, quando já ocupava a presidência do legislativo federal, Eduardo Cunha só é "bem conhecido" por 5% da população. Mas é bem provável que este quadro esteja mudando radicalmente diante da queda de braço travada com o governo na aprovação de projetos de lei ou emendas constitucionais. Foi assim com o PL das terceirizações e com as PECs do financiamento empresarial de campanha e da redução da maioridade penal.

O cálculo de Cunha é simples: 91% dos brasileiros não confiam em partidos políticos; somente 9% aprovam Dilma. De uma vez só, rompeu com o próprio partido e, de uma vez por todas, com o governo. Seu objetivo é mostrar aos eleitores que não se rende ao fisiologismo nem à estrutura burocrática partidária e cair nas graças do antipetismo raivoso. 

Mas no meio do caminho havia uma pedra. A Operação Lava Jato, que, no imaginário comum, tinha tudo pra começar e acabar no Partido dos Trabalhadores, acertou quase todo mundo: da oposição à situação, passando pelo meio que dança como toca a música. Na lista de Rodrigo Janot, Eduardo Cunha passou a atacá-lo publicamente com ênfase cada vez mais estridente. Exigiu do Planalto sua cabeça e, como não houve sinalização favorável, partiu pro combate inconsequente. 

Horas depois de oficializar o rompimento com o governo, na última sexta-feira, aceitou 11 pedidos de impeachment até então engavetados e aprovou a CPI do BNDES, que há tempos ronda o Congresso. Tudo isso só um dia depois de ser delatado por Júlio Camargo, ex-consultor da Toyo Setal, que sustentou ter sido coagido a pagar R$ 5 milhões a Cunha como propina. 

Que sejam essas pressões perfeitamente naturais no submundo da política institucional, o erro de Eduardo Cunha foi ter gostado demais dos holofotes. Na sombra, agia como queria e garantia sucessivas reeleições afagando as empresas financiadoras de suas campanhas com o poder da caneta e da influência no Congresso. Sob a luz, quis chamar pra si o papel de referência anti-PT e está pagando caro com uma exposição que nunca lhe foi costumeira. Agora tem que lutar contra o próprio lastro deixado pelo longo caminho até aqui, com acusações de falsificação, irregularidades e coação. Somem-se a elas as mais recentes declarações que deixam claras as ações em retaliação às investigações da Procuradoria-Geral da República.

Até aqui, Cunha já perdeu o governo, o próprio partido e boa parte das empresas financiadoras. E a julgar pelo pronunciamento realizado na noite de sexta, pouco tempo depois do anúncio do rompimento, dificilmente vai ser eleito graças à capacidade discursivo-carismática.

Talvez seja cedo demais pra decretar o seu fim, mas aquele Eduardo Cunha espanou. Porque é também tarde demais pra que ele saia ileso desta escolha crucial. De um jeito ou de outro, é bom que estude melhor os próximos passos pra não acabar sustentado somente pelo distinto grupo capitaneado por Marisa Lobo e Reinaldo Azevedo.

Abraços, 
Murilo

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Bateu, Levou?! Divisão política e o futuro de Itararé

por LUIS FELIPE MACHADO DE GENARO


A oposição à gestão Ghizzi na Câmara de Vereadores parece não compreender o óbvio. Senhores da “coisa pública” como se privada fosse, insistem nos quinze minutos que o cargo lhes oferece, elevados pelo púlpito do espetáculo, que a história recente de Itararé não sofreu transformações face os ocorridos dos últimos dois anos – hoje, dizem, alvos de “perseguição política”, sendo seus cargos “desrespeitados” pelo Executivo. 

Não recorda a vereança de décadas anteriores, não muito distantes, onde a verdadeira perseguição política, o silêncio e o coronelismo eram os pilares que sustentavam as relações entre o Executivo, o Legislativo e a comunidade itarareense? 

Contrários ao governo Ghizzi temem a mulher que está no gabinete não apenas pelo pulso firme que possui, mas pela honestidade que lhe é peculiar. Todos nós sabemos que, em Itararé, “honestidade” é uma palavra que incomoda muita gente. 

O grande líder da oposição política e midiática sabe muito bem disso. Eloquente e observador, nota que Cristina finalmente se levantou contra os ataques, difamações e distorções maléficas lançadas pela oposição na Câmara, por desocupados nas redes sociais e pela mesma imprensa retrógrada que corrompe há anos corações e mentes de itarareenses. O nobre edil estaria preocupado com o discurso bem fundamentado e sem politicagens de Cristina? 

A prefeita não pode descansar. O poder de sua voz e a força de seus atos precisam ser sentidos. Indo à rádio semanalmente já é um bom começo. Se conformar com o “bateu, levou” dito em uma das últimas sessões da Câmara, seria fraqueza – algo que não lhe é característico. Durante dois anos, desde a primeira semana de sua gestão, ela e seu secretariado têm apanhado sem cessar. Diferente do que ocorria com outros prefeitos e suas administrações, lavadas na mesmice, no descaso e na corrupção. 

Não obstante, aliados de Cristina na Câmara começam a sentir o peso de auxiliar uma gestão que, aos trancos e barracos, tem a mudança, o bem-estar público e a transparência como norte. Hoje, pessoas que trabalharam uma vida em prol da população estão sendo massacradas pelo opositor-mor e seus comparsas. Uma coisa eu lhes digo: agora, mais que do que nunca, precisamos nos unir, diferenciando amigos de inimigos. 

Diferente do que almejam uns e outros, baseados em um gritante senso comum, o Legislativo e o Executivo de Itararé nunca poderão trabalhar juntos em prol da população, isso porque na Casa de Leis muitos não possuem tal interesse. Os lados da política itarareense estão finalmente delimitados, havendo um risco de giz que separa uns de outros. Creio que até o próximo outubro eleitoral, o jogo mudará. Contudo, nada será surpreendente. 

A geração de alunos que Cristina Ghizzi formou ao ensinar com maestria a História do Mundo foi uma geração que aprendeu a pensar e a questionar o lugar que vive. A geração que formou é aquela que nasceu dos conflitos de seu governo, de seu tempo como chefe do Executivo. Um tempo – lembremos! – que não acabou e nem merece acabar. 

É a mesma geração que está lutando e irá lutar com unhas e dentes pela justiça social e a honestidade em Itararé. Um aviso aos opositores do povo: já somos um coletivo e um novo partido, ambos embrionários de sua gestão, de suas aulas e de suas ideias. 

“Bateu, levou?!”. Bem, aos aliados na Câmara, aos secretários da gestão, simpatizantes e partidários da boa política, uma coisa é certa: levantemos com a cabeça erguida e batamos outra vez. Respondam, processem, contra argumentem, escrevam, reajam. Calados? Não ficamos, nem ficaremos mais.