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quinta-feira, 25 de junho de 2015

A simbologia do ódio racial

por JESSICA LEME



A história americana está recheada de crimes raciais e civis, mas, não sejamos hipócritas, não só a deles. No século XIX durante a Guerra Civil Americana e a divisão de ideais que rachou o país entre os que lutavam pelo fim da escravidão (Norte) e aqueles que sequer consideravam a ideia de que um negro era um cidadão americano (Sul).

Naquele momento da história, ainda muito inflamados pelas ideias iluministas trazidas pela Revolução Francesa, de igualdade entre os homens e principalmente de liberdade, somava-se o grande desenvolvimento industrial que estava tomando a Europa e notoriamente interessou aos Estados Unidos, que também precisavam aumentar seu mercado consumidor.

Lincoln pagou o preço pela abolição da escravatura, e, mesmo após ser assassinado, a Guerra Civil ainda permaneceu, assim como o racismo dos estados do Sul americano se intensificou. Vieram outros na luta pelos direitos civis a partir da década de 1950, Malcon X, Rosa Parks, Luther King, buscando direitos básicos aos afrodescendentes. 

Na semana passada, um jovem branco foi detido após ter cometido um crime terrorista numa Igreja matando nove pessoas, igreja essa que no passado foi palco de discussões sobre direitos as minorias e é considerada um símbolo nacional de luta das pessoas negras. Com ele encontraram-se diversas fotografias e objetos relacionados a grupos racistas, um destes objetos a bandeira dos Estados Confederados (Criada para a Guerra Civil Americana como representação dos estados do sul, contrários a abolição da escravatura) - esta mesma bandeira ainda hoje é usada pelo estado do Mississipi. 

Após o atentado terrorista motivado por ódio racial, segundo o próprio assassino que pretendia iniciar uma guerra entre brancos e negros, voltou à tona novamente uma discussão já feita no passado sobre o quanto a bandeira do estado simboliza ainda a ideia de supremacia branca e de incentivo ao racismo. Ainda no inicio dos anos dois mil o estado do Mississipi promoveu um plebiscito para decidir se a bandeira continuaria a mesma. Com a vitória, o símbolo da Guerra Civil permaneceu.

O poder dos símbolos é evidente ainda mais em nossa sociedade de imagem. Sabemos que em vários momentos históricos e principalmente em governos e grupos que pregam ideias de supremacia usaram de imagens e símbolos para causar o sentimento de integração dos grupos (nazismo, fascismo, URSS) etc.

O grupo racista Ku Klux Khan, criado ainda nos finais da Guerra Civil, trazia como símbolo a bandeira dos Estados Confederados, naturalmente que ela se tornou um elemento de identidade daqueles que acreditavam na ideia de superioridade branca, assim como pregavam o assassinato e perseguição de pessoas negras promovidos pelo grupo. O jovem preso pelo atentado à Igreja segue sob suspeita de pertencer a esse grupo ou similares que ainda resistem ao tempo, propagando seus ideias de forma discreta, porém, devastadora.

O fato é que mesmo com Obama sendo o primeiro presidente negro dos Estados Unidos pouco se tem feito para conter os avanços dos crimes contra os negros norte-americanos que vem sofrendo seguidos ataques racistas, ataques estes que tem ganhado bastante notoriedade na mídia novamente frente às passeatas e manifestações de setores da sociedade civil que não querem mais viver os horrores dos anos 1960.

Mesmo os EUA sendo considerados modelo de desenvolvimento humano a realidade das comunidades negras e latinas é bem diferente da população branca que é nove vezes mais rica que as demais. Os negros e latinos também fazem parte das estatísticas de crimes, de maior mortalidade, entre outros índices que só reafirmam que mais que respeito e liberdade os povos imigrantes e os negros ainda terão que lutar muito para conquistarem efetivamente a América.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Você cultua seu CORPO?

por JESSICA LEME



No passado, quando o poder das imagens se restringia somente à das obras de artes, das paisagens naturais, entre outras formas de gravar imagens de maneira rudimentar, elas não detinham grande poder ou fascínio sobre o homem. Naquele momento a literatura e a filosofia eram os carros chefes do interesse humano, da curiosidade.

No mundo moderno, ou melhor, pós-moderno vivemos uma avassaladora avalanche de imagens diárias. Essas imagens trouxeram à tona uma nova tendência social, a do culto ao corpo perfeito como objeto da felicidade humana. Segundo a socióloga Tatiane P. Trinca, há duas formas de entender essa obsessão pelo corpo ideal, uma passando pela falta de perspectivas com o mundo, da mercantilização dos relacionamentos e também pela busca de uma infinitude do corpo atual, correspondente ao velho medo de envelhecer. 

Segundo a autora nossa sociedade individualista tem aumentando esse sentimento narcisista instalado em todas as faixas etárias, que busca no seu próprio eu a perfeição inexistente ao seu redor, o consumo se volta totalmente ao próprio ser, minando cada vez mais as tentativas de viver em coletividade e de pensar coletivamente.

Na contramão damos de encontro com a mídia e o mercado de consumo que a cada dia cria mais artifícios que prendem o homem na busca do corpo perfeito no anseio de sanar suas aflições derivadas da depressão e ansiedade. Dessa maneira diversas áreas da estética, tem cada dia mais se especializado na área de cuidados do corpo, da vaidade humana. Com a explosão das mídias principalmente das propagandas televisivas bem como as revistas com modelos de corpo e comportamento lançadas após os anos 60 esse comportamento passou a ser incorporado não somente pelas classes sociais mais ricas, e sim por toda uma grande massa de consumo. 

[...] vender um xampu ou uma pasta de dentes é, em primeiro lugar, impor ao público, com a imagem da cabeleira ou do sorriso de uma estrela de cinema, a ideia de que é preciso lavar os cabelos ou os dentes, e não há como ampliar as vendas de bronzeadores enquanto a pele bronzeada na volta das férias não se tornar um imperativo social. Assim, os comerciantes contribuíram mais do que os higienistas para difundir os novos hábitos do corpo”. (PROST, 1992, p.98).

A grande massa tenta a partir dos modelos famosos impor sua representatividade, seja através da busca do corpo perfeito, ou através da propagação de imagens de si próprios através das redes sociais. Estas imagens a cada dia se tornam mais e mais intimistas como as chamadas selfies pós-sexo, ou seja, fotografias feitas teoricamente logo após ato sexual e publicadas em redes sociais pelos próprios autores.

Na sociedade do espetáculo o homem está abrindo mão de sua intimidade no afã de se fazer ver, de se fazer presente. Redes sociais mostram diariamente o dia a dia de uma população que em sua maioria não faz parte de nenhuma rede política, de esfera de poder ou qualquer coisa do gênero, são anônimos buscando seu lugar ao sol, seus quinze minutos de fama. Sociedade vazia.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Brasil bitolado

O absurdo projeto de lei sobre “Assédio ideológico”

por JESSICA LEME



Logo após o resultado das eleições de 2014 já se sabia que o Brasil teria um governo bastante conservador. Desde então temos vistos projetos, ideias, entre outras situações extremamente retrógradas, serem tiradas das gavetas da política brasileira mesmo estas estando há décadas esquecidas, ou talvez pelo o que se percebe nem tão esquecidas assim.

A nova proposta dos últimos dias é a de criminalizar o que o senhor deputado Rogério Marinho (PSDB) chama de “assédio ideológico”. Segundo ele este “crime” é caracterizado quando um aluno é coagido a pensar de acordo com seu educador (leia-se professor), ou seja, na opinião do deputado os professores influenciam seus alunos a terem determinados posicionamentos político-ideológicos favoráveis a determinados partidos políticos.

O projeto foi criado segundo o deputado tucano a partir da leitura do Caderno de Teses do Partido dos Trabalhadores. Este documento redigido por políticos do partido, naturalmente um texto ideológico, feito única e exclusivamente para o estudo dos partidários num Congresso do PT que ocorrerá em junho deste ano. O deputado cita trechos do texto onde comenta-se que só haverá uma efetiva mudança social no Brasil se ela vier acompanhada de uma mudança cultural para a grande maioria garantindo assim valores hegemônicos, democráticos e socialistas. Numa grande demonstração de ignorância o deputado acredita que esses Cadernos de Teses, reitero, material do partido e só para o partido, estarão em breve nas escolas para doutrinação dos alunos.

A escola pública há muito tempo tem garantido pela Constituição o dever de propagar todas as formas de pensamento, religião, etc. Todos os artigos relacionados à educação buscam assegurar que nada seja usado como forma de doutrinação dentro das escolas, e na prática isso verdadeiramente ocorre. Claro que estamos tratando de professores que no exercício de seu trabalho naturalmente deixam transparecer suas preferências pessoais e posicionamentos em diversos assuntos do dia a dia, viver é se posicionar e não necessariamente doutrinar por se mostrar convicto em seus valores e escolhas.

O projeto vai mais além e pretende ser inserido no ECA, assegurando aos alunos o direito de se posicionar contrários àquilo que estão sendo ensinados, e mais, prevê a criminalização e até mesmo detenção de educadores que se prestem ao serviço de alienação dos alunos. Leia trecho do projeto:

“Art. 146 – A. Expor aluno a assédio ideológico, condicionando o aluno a adotar determinado posicionamento político, partidário, ideológico ou constranger o aluno por adotar posicionamento diverso do seu, independente de quem seja o agente: 

Pena – detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano e multa. 

§ 1°. Se o agente for professor, coordenador, educador, orientador educacional, psicólogo escolar, ou praticar o crime no âmbito de estabelecimento de ensino, público ou privado, a pena será aumentada em 1/3. 

§ 2º. Se da prática criminosa resultar reprovação, diminuição de nota, abandono do curso ou qualquer resultado que afete negativamente a vida acadêmica da vítima, a pena será aumentada em 1/2”.


Agora a questão que fica é, como vai se avaliar o tal “assédio ideológico”? Fica claro que a intenção do parlamentar é meramente político-partidária e não está atrelada à preocupação de desenvolvimento intelectual ou acadêmico dos jovens, e sim em repreender professores que se posicionem politicamente contrários ao que ele julga ser correto.

Naturalmente que num ambiente educacional a prática do debate se estabeleça, é a partir da diversidade de ideias que o conhecimento se mostra, se forma, e faz com que o aluno perceba a necessidade de questionar a sociedade na qual vive e mais questionar aquilo que aprende, que escuta e que lê. Quando de certa maneira estabelecemos normas para o debate, para o pensar em sala de aula no sentido de censurar determinados temas como Comunismo, Socialismo ou até mesmo temas que possam ofender religiões como o Darwinismo e a Evolução e teorias como o do Big Bang estamos cerceando o poder de discussão e conhecimento de toda uma sociedade em formação.

Há muito já tivemos professores perseguidos e censurados, porém, estávamos num regime de governo caracterizado por uma Ditadura Militar. Acuar professores em seu exercício de trabalho usando de uma pecha de doutrinadores não fará nossa educação e senso crítico se desenvolverem, isso é mais uma das tantas ações retrógradas que tem surgido no Brasil nos últimos meses.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Getúlio Vargas. Um mito político construído

por JESSICA LEME


A história política durante muitos anos foi a protagonista dos projetos de pesquisa e publicações, geralmente pautadas na construção de histórias nacionais, narrativas sobre sistemas de governo, revoluções, etc. Com o passar do tempo à história política caiu em descrédito ou em desuso, sendo deixada de lado por outros campos de pesquisa. O historiador político deveria então passar a se preocupar não somente com a instituição política, mas também o poder que lhe é inerente. O estudo do poder que a política detém sobre as sociedades seria a partir de então um novo objeto de estudo, visto que a política perpassa até mesmo os laços afetivos, como se vê claramente durante campanhas eleitorais. 

Grande parte das críticas lançadas à produção da história política tinha como ponto principal o fato de ser percebida como elitista, de enaltecer determinados sujeitos, sua superficialidade de análise. 

A história política, com sua tradição de criar heróis, legitimar governos e regimes de Estado, acabou permanecendo a mesma após as diversas revoluções que passaram a percorrer governos pelo mundo, derrubando principalmente monarquias. A persistência em criar protagonistas apagou a real importância das minorias, das massas, dos anônimos, dos heróis esquecidos que estiveram à frente de tantas mudanças políticas. Essa parcela da história só seria resgatada mais recentemente com as novas formas de abordagem da nova história cultural. 

A representatividade de Getúlio Vargas na memória coletiva do Brasil teve suas raízes num processo político de culto da sua figura, na legitimação de locais/lugares/objetos que tenham feito parte de algum momento auspicioso de sua trajetória ou até mesmo seu discurso e herança política.O governo Vargas caracterizou a introdução do que chamamos de cultura de massa no Brasil, esta por sua vez trouxe uma nova forma de cultura política. Após a crise do liberalismo muitos países buscaram rever a figura do Estado para conter a crise social, buscando líderes carismáticos que conduziriam às massas a fim de evitar revoluções populares. 

Nesse modelo de governo que se estabeleceu a manipulação ideológica era uma forte tendência, aproveitando se da população em sua grande maioria ainda proveniente da zona rural, sem qualquer cultura política anterior, portanto facilmente manipulável. 

O uso da fotografia no regime Vargas era utilizado principalmente com o intuito propagandístico, no Brasil a fotografia foi mais utilizada que demais formas de propaganda por ter referência à ideia de realidade, o que pode demonstrar o caráter positivista da sociedade brasileira, assim como o da formação própria de Getúlio Vargas. 

A fotografia se organiza em dois segmentos, aquele o qual algo é expresso (papel, cores, tecnologia utilizada) e também seu conteúdo (aquilo que está fotografado, pessoas, objetos, lugares). A análise fotográfica tem na sua noção de temporalidade a chave para sua interpretação, visto que cada situação fotografada corresponde a determinado momento histórico. A foto nada mais é que um recorte desse tempo/espaço. 

A fotografia carrega consigo uma realidade própria, ela não necessariamente está ligada ao fato ou assunto que representa. Essa realidade é criada, e não de forma ingênua, neutra ou imparcial. 

A fotografia é considerada um produto cultural, visto que é um elemento social e dentro dessa perspectiva ela pode lançar novas formas de comportamento, moda, assim como também podem servir como elemento de controle das massas. Este aspecto foi extremamente utilizado durante o governo Vargas para a construção e legitimação do governo autoritário. Diversas formas de propaganda utilizando fotografias do então presidente foram produzidas pelo Departamento de Imprensa e Propaganda criado na época especialmente para estes fins. 

Na política a imaginação se faz presente no que diz respeito a determinado indivíduo, ou seja, o que o faz ser lembrado? Algo que o enaltece ou o diminui perante a sociedade. 

Quando se produz um sistema que reproduz e legitima a ordem estabelecida também surgem sistemas que guardam estes símbolos e representações. Com a possível dominação e manipulação pelo poder político, a história do imaginário social começa a se aproximar também da história da propaganda. 

As ideologias nascem das representações que determinada sociedade tem de si própria e das relações que ela tem com as sociedades antagônicas ao seu modelo. É através disso que as sociedades exprimem suas aspirações, justificam suas ações e moldam seu futuro. Internamente, a dominação da classe dominante passa necessariamente pelo campo ideológico. O discurso da mesma é veiculado à grande massa pelo Estado, Igreja, escola, e porque não do domínio da propaganda e dos veículos de informação. 

O imaginário social é uma força reguladora da vida coletiva. Os símbolos não somente indicam a qual sociedade o indivíduo pertence, mas também servem como uma alternativa muito eficaz de controle da vida coletiva, principalmente no exercício do poder. O imaginário tem o sentido unificador extremamente forte, que lhe é dado pelo misto de verdade, normatividade, informações e valores que se colocam através dos símbolos. O imaginário social não funciona de forma isolada; ele usa de várias fontes simbólicas do coletivo e em boa parte usa da simbologia sagrada para legitimar seu poder. 

O sistema de criação dos imaginários redunda na formação do carisma do chefe, conferindo-lhe um status de grande guia com poderes por vezes sobre humanos, encarnando o mito político que protege e salva uma coletividade. O mito político é uma fabulação, é a criação de algo que foge ao real, porém, o mesmo mostra uma fração daquele dado momento. 

O mito político surge a partir de uma deformação da realidade, havendo uma negação daquilo que realmente existe. Também deve se levar em consideração que mesmo sendo um mito ele nos traz características da sociedade de seu tempo.

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Todos pela Educação?

por JESSICA LEME

Foto: Daniel Castellano, jornal Gazeta do Povo, Curitiba PR (29/04/2015)

Tive planos de escrever hoje sobre toda a simbologia do 1° de maio, dia do trabalhador, trabalhador esse que tem sofrido duros golpes e imensas ameaças perante a possível aprovação da lei de terceirização, lhes retirando muito do que foi conquistado sabemos nós com o suor e sangue dos que lutaram durante todo o século XX por direitos básicos. 

Mas, diante do caos e vergonha estabelecidos na educação do país, mais especificamente em São Paulo e principalmente no Paraná, ficou impossível não escrever sobre os sobreviventes da educação no Brasil, os professores. Sem panfletagem barata, sem jargões aos quais não temos mais espaço nem estomago. Se nós somos “todos pela educação”, até quando deixaremos os educadores gritarem e lutarem sozinhos?

Professores em ebulição, Estado inerte. Contabilizei num primeiro momento nada mais nada menos que nove estados do país com professores em situação de greve, com indicativos de greve ou em “estado de greve”, são eles: São Paulo completando mais de 30 dias parados; Paraná o qual voltou à greve nessa última segunda feira em resposta ao não cumprimento dos acordos feitos com o governo; Santa Catarina já conta 38 dias parados; no último dia 24 de abril os professores do Piauí iniciaram sua greve; Goiás tem seus professores em greve desde o dia 14; a Bahia também teve professores municipais em greve; o Estado do Pará tem seus educadores também parados; Pernambuco entrou na greve também este mês; e para finalizar por hora o Distrito Federal iniciou greve no dia 12.

Todas essas greves não nasceram de uma pequena indignação, de uma pequena parcela de professores, de um ato falho dos governos em determinados locais do país. Essas greves, esse desejo de mudança drástica misturada com a revolta alimentada pelos anos de humilhação dos educadores do Brasil, há campanhas e mais campanhas políticas ouvindo e esperando as promessas gloriosas pronunciadas em prol da educação se desmancharem no ar. Essas greves, esse sentimento de luta e de lutar até morrer se preciso for foi plantado em nós estudantes de licenciaturas, professores, e demais servidores da educação a gerações. A educação brasileira esperava passivamente há décadas as promessas que nunca vieram a serem cumpridas.

Charge blog do RAONI http://blogdoraoni.com.br/

Há anos noticiamos a situação da escola pública, há anos sabemos que nenhum professor no Brasil recebe seu piso salarial, que a grande maioria dos profissionais tem pós-graduação ou são especialistas, mestres e mesmo assim muitos governos não reconhecem financeiramente seu valor. Usamos púlpitos, palanques, mídias sociais para reclamar nossa insatisfação com nossos resultados em exames educacionais pelo mundo. Fazemos piadas com alunos que não sabem calcular, escrever uma boa redação ou sequer sabem compreender o que leem. Tememos que nossos filhos decidam seguir carreira como professores, e enquanto professores desestimulamos alunos de licenciaturas a seguirem com a carreira. Sou professora, ouvi isso de meus professores de estágio e já fiz isso enquanto professora de estágio.

Todos os estados que possuem profissionais da educação em greve têm em suas pautas de reivindicações propostas como o pagamento do piso salarial, melhoria nas condições físicas das escolas, salas de aulas com limitação de 35 alunos (respeitando sua faixa etária), planos de carreira, tickets alimentação, vale transporte, equiparação salarial com demais servidores do estado com o mesmo nível de formação um plano de saúde.


O mais incoerente em nosso país é a parcialidade da mídia em relação ao trato dos movimentos sociais que envolvem a educação. Diante de um momento de crise nacional no setor encontramos pequenas notas, ou reportagens vagas e de curtíssima duração sobre o assunto nos telejornais. Muito menor ainda é a resposta que a sociedade civil parece dar ao movimento de educadores, que na grande maioria das vezes são colocados como insubordinados e vilões da educação pelo fato de “paralisarem” as atividades escolares.

Para tratarmos de casos mais drásticos a meu ver como no caso são dois estados de grande economia e maior número de alunos. São Paulo há anos enfrenta greves de professores que infelizmente poucas vezes trouxeram resultados efetivos a categoria. Com a política muito bem planejada de massacre à educação no estado, mesmo com um grande número de professores paralisados as escolas continuam funcionando, dando a falsa impressão de normalidade através de professores contratados por horas aulas, onde substituem os profissionais efetivos em greve. No Paraná onde a categoria nos últimos anos conseguiu a conquista mesmo que a duras penas de um plano de carreira estável, vê seu plano previdenciário ser dilacerado por uma manobra do governo para aliviar dívidas do Estado.

Na contramão de todo e qualquer discurso político e social vemos uma onda de barbáries ocorrendo para com os profissionais da educação. Na última sexta feira (24/04/2015) professores em greve em São Paulo tentaram invadir a Secretaria de Educação a fim de chamar a atenção do governo paulista que continuava mesmo após mais de 30 dias de greve negando a existência do movimento grevista. Houve confronto entre policiais e professores, estes estavam sem armas, muitos naturalmente saíram gravemente feridos.

Nesta tarde a cena volta a se repetir no estado do Paraná em pleno centro da cidade de Curitiba onde se reuniam cerca de 30 mil professores em greve lutando contra o roubo da previdência. Um contingente de 1.5 mil policiais, entre estes a tropa de choque, cavalaria e cães, iniciou o ataque aos servidores públicos assim que a votação do projeto iniciou-se no interior da Assembleia Legislativa. 

Não me cabe fazer um relatório de tudo o que ocorreu de violência nos dois casos, fato é que ambos tratam-se de profissionais da educação desde os níveis básicos até os de última instância do ensino superior. Todos estão nas ruas travando uma luta que deveria em tese ser de todos os brasileiros. Todos aqueles que usam sua camiseta da seleção para “protestar” em belos domingos de sol contra a corrupção que em seus olhos só tem um lado e uma cor. A luta pela real educação de qualidade e pelo respeito ao profissional formado e gabaritado que é a realidade da grande maioria dos professores do Brasil. Pelo respeito que também devemos aos alunos que invariavelmente deixamos desassistidos pelas péssimas condições físicas e materiais de nossas escolas públicas, e mesmo aqueles que podem pagar pelo bem estar de seus filhos em colégios particulares, estes também devem aos professores muito da formação de seus filhos enquanto cidadãos de bem.

Só me faço uma pergunta. Onde estão aqueles que bradejam contra a corrupção e se acovardam em lutar ao lado dos professores pela educação de qualidade para todos e todas?

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Todo dia era dia de índio

“... Antes que o homem aqui chegasse, às Terras Brasileiras, Eram habitadas e amadas por mais de 3 milhões de índios. Proprietários felizes da Terra Brasilis.
Pois todo dia era dia de índio, todo dia era dia de índio. Mas agora eles só tem
o dia 19 de Abril...” 
(Todo dia é dia de índio, Baby do Brasil)

por JESSICA LEME

Foto: Sebastião Salgado

No próximo dia 19 de abril relembramos os povos indígenas, a data foi estabelecida durante o Estado Novo, governo de Getúlio Vargas em alusão ao primeiro Congresso Indigenista Interamericano no México. Infelizmente a data é tratada de forma caricata e por vezes cômica nas escolas, programas de tv, pequenas notas em páginas na internet. Quando pensamos na magnitude dos povos indígenas os cocares de papel sulfite nas crianças da escola primária tornam-se fantasias de carnaval, relegamos os povos indígenas a meros personagens ultrapassados da história do Brasil e da América Latina. 

No Brasil vários grupos são marginalizados há tanto tempo que serem tratados de forma pejorativa por seguintes gerações se normatizou. Os povos indígenas entram nesse contexto de exploração, preconceito e desrespeito que já se tornou universal. E no momento chave para a discussão séria sobre o que fizemos das populações indígenas, na data mestre para a real contemplação da cultura das sociedades primitivas, pintamos nossas crianças com urucum e as ensinamos a repetir sons com a boca.

O massacre dos povos indígenas é sabido por todos que ao menos um dia se interessarem pela história do Brasil e da América como um todo. Habitantes naturais do continente tiveram seu habitat colonizado por uma população completamente diferente em cultura e costumes, matando-os a partir das guerras, sucessivamente com doenças, e até hoje massacrando sua memória. 

Ao contrário do que a grande maioria da população acredita, desde que o IBGE passou a fazer a contagem de pessoas que se consideram indígenas no Brasil nos anos 90, o número de índios só aumentou. Assim como os negros esse aumento não se dá necessariamente só pelo aumento da população, mas sim pelo fato de que muitos passaram a se reconhecer como indígenas. As populações indígenas também assumiram características diversas, podendo viver em reservas asseguradas pelo governo, em busca de terras para se estabelecer ou até mesmo nos centros urbanos.

Outra característica difundida e muito questionada quando o assunto são povos indígenas é o fato de produtos da vida moderna terem adentrado as aldeias, como, por exemplo, celulares, geladeiras, televisões, etc. Segundo o senso comum, índio de verdade deve viver como há 500 anos atrás, se não, não é mais índio, é homem branco. A cultura é um conjunto de ações que naturalmente se modifica o tempo todo, com maior ou menor velocidade, porém tanto se apropriam novos comportamentos como também é possível a adaptação de comportamentos antigos com as facilidades do atual momento.

No âmbito das políticas públicas os povos indígenas sofrem ainda mais. No país existe um braço do SUS que deveria atender a população indígena de forma diferenciada, porém escassa e que em muitas das vezes não funciona. Na educação houve um ligeiro desenvolvimento quando o assunto é uma maior flexibilização dos currículos e da estrutura escolar bem como a formação dos professores que lecionam em escolas indígenas. Existe hoje um número já bem expressivo de indígenas formados atuando como professores em suas aldeias, lecionando em escolas bilíngues, com alimentação e horários de acordo com as atividades das aldeias, mas ainda temos muito o que caminhar nesse sentido.

Mais um dos preconceitos eternizados na história do Brasil pelo colonizador branco é que o indígena é vagabundo e não gosta de trabalhar. Naquele período da colônia o Brasil tinha vários padres da Ordem Jesuíta que acreditavam que os índios tinham alma e então deveriam ser salvos e catequizados, não podendo assim serem usados como escravos. Muitos dos colonizadores que tentaram forçar indígenas ao trabalho nos moldes europeus e de forma escrava, viram que não obtiveram grandes ganhos, os indígenas não tinham a cultura do trabalho exaustivo diário, bem como não conheciam as formas de trabalho do homem branco.

Para que a venda de escravos negros se efetivasse a lenda de que os indígenas eram vagabundos, somada ao impedimento da escravidão indígena feita pelos padres, se espalhou pela colônia e perdura até os dias atuais. Voltando a falar do quesito cultural, temos sempre que nos lembrar e tentar compreender que para o índio não existe a necessidade do acúmulo de bens. Estes povos geralmente buscam aquilo que necessitam diariamente e não trabalham horas durante o dia a fim de enriquecer ou qualquer outra coisa do gênero. Nesse sentido alguns antropólogos também associam a vasta natureza existente no Brasil, o que teria permitido que muitas aldeias vivessem de forma autossustentável através da floresta por muito tempo.

Num novo sentido de percepção “o homem branco“ passa a olhar os povos indígenas em busca de respostas que em seu ambiente urbano não encontrou, como, por exemplo, curas para doenças. Muitos cientistas têm buscado não só na natureza mas nos conhecimentos primitivos dos pajés respostas ainda não encontradas na medicina e ciência. A própria NASA tem desenvolvido projetos onde vários pajés pertencentes a povos da América como um todo tem dados suas contribuições naquilo que sabem sobre a cura de diversas doenças e no manuseio das plantas.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Devo me importar com os outros?

por JESSICA LEME

Imagem: www.novosdialogos.com

O pós-modernismo surgiu, segundo alguns pensadores contemporâneos, no final do século XX, partindo da ideia de que todos os padrões e descobertas até então haviam sido vencidos, e, portanto, deveriam ser repensados. Nesse sentido surgem os sujeitos pós-modernos, ou seja, como podemos classificar as novas gerações de homens e mulheres que habitam o planeta, nascidos e criados numa nuvem de modernidade e isolamento social.

Nesta sociedade onde facilmente confundimos o ser com o ter, indivíduos que estejam fora dessa ordem naturalizada do consumo são considerados perdedores, fracassados e sumariamente marginalizados. 

Atualmente o mundo todo sofre efeito de uma crise econômica iniciada ainda na primeira década dos anos 2000, mesmo que a grande maioria rechace a ideia esta é sim uma crise do sistema capitalista já prevista há muito tempo. O modelo econômico colapsou. 

Os resultados dessa crise são vários. Nesse momento procuro discutir o lugar da pobreza na sociedade atual. O capitalismo no seu bojo de estruturas nos trouxe a ilusão de um bem estar social, de consumo desenfreado, prazer, luxos, entre tantas outras coisas que o dinheiro pode comprar. Na contramão, após as diversas revoluções industriais e tecnológicas, vieram com ele também o desemprego e consequentemente as classes mais pobres e marginalizadas, e que no momento atual não tem perspectiva de mudança de classe social. 

Falando num sentido global, o indivíduo pobre hoje tem menos valor ainda socialmente que seus antepassados. Anos atrás o pobre era considerado reserva de mão de obra barata, no aguardo do aquecimento da indústria para ser reinserido no mercado de trabalho, hoje as indústrias enxugam suas fileiras de trabalhadores e a classe desempregada permanece assim. 

O que vemos hoje nas sociedades pós-modernas é a tendência a desaparecer com os pobres e marginalizados, que são vistos pelos governos e retratados pela mídia como “pesos para a sociedade trabalhadora que os carrega com o ônus de seu trabalho”. Em contrapartida os pobres não sentem os medos causados pela instabilidade do mundo moderno, visto que em sua situação dificilmente sairão da linha de miséria enquanto os que estão empregados e ativos no mercado consumidor vivem a insegurança de serem colocados de lado pelo desemprego. 

Em todo o mundo o Estado do bem estar social (assim chamados os programas governamentais que auxiliam pessoas em situação de pobreza extrema, violência ou drogas), sofre perseguições da sociedade civil e mídia para que desapareça. A sociedade pós-moderna não quer arcar com o resultado do capitalismo selvagem, somente a ética aliada com a moral poderá salvar aqueles que foram alvos de um mundo onde poucos obtêm seu lugar ao sol.

quinta-feira, 5 de março de 2015

Todos por elas. Os desafios do feminismo no século XXI

por JESSICA LEME




Semana em que se comemora o dia Internacional da Mulher, hoje muito capitalizado pela indústria e propagandeado como mais um momento a se consumir... Mas ainda sim válido, com um histórico de luta pela igualdade de gênero e direitos das mulheres. 

Quando pensei em escrever sobre o dia 08 de março logo me veio a ideia óbvia, talvez, de refazer toda uma trajetória histórica social da presença (ou não) das mulheres no cenário histórico mundial e brasileiro. No instante seguinte percebi que a discussão sobre o “ser mulher” ainda é cheia de espinhos a serem vencidos mesmo na atualidade, e suas questões assinaladas no passado só nos dão o sentido de permanência dessas desigualdades. 

Duas falas comandaram a minha linha de pensamento para falar sobre feminismo, numa semana em que enxurradas de homenagens vazias, propagandas com mulheres belas e bem sucedidas enchem nossa televisão, rádio e internet, somente Ema Watson e Malala me pareceram esclarecer e trazer à tona a verdadeira tônica do feminismo no século XXI. 

É mais que sabido e rebatido anualmente a queima dos sutiãs, a Greve de Chicago, a liberdade sexual trazida com a pílula, o direito ao voto, o crescimento do número das mulheres com ensino superior no país entre outros ganhos da ala feminina, mas a questão trazida pelas duas jovens embaixadoras da ONU, Ema Watson comandando a campanha intitulada HeForShe (Eles por elas), e Malala, Nobel da Paz em 2014, representando o direito das meninas e mulheres a terem acesso à educação. 

Parafraseando o discurso de Ema Watson na Assembleia da ONU em setembro, a palavra feminismo tem sido carregada de preconceitos que acabam por levar uma discussão tão feminina quanto masculina para longe das sociedades atuais. Talvez tenhamos acreditado que a maior inserção das mulheres ocidentais num mundo que antes era somente dos homens generalizou a ideia de que todas as mulheres no mundo possuem os mesmos direitos. Isto está longe de ser a realidade. 

O feminismo teoricamente se aplicou à luta pela busca de igualdade de gênero, onde homens e mulheres poderiam exercer a mesma função e receber o mesmo salário para isso. Buscou colocar a mulher como sujeito ativo da sociedade indo muito além de sua predestinação ao casamento e a maternidade (ambos praticamente impostos pela sociedade patriarcal). 

Falar em feminismo, se autoproclamar feminista, leva a determinados preconceitos, como relacionar a feminista a mulheres que não se relacionam com homens, a mulheres mal resolvidas consigo mesmas, ou até se cogita que a mesma é uma luta sem sentido, visto que para a grande maioria da sociedade a mulher já ocupou todos os espaços sociais que o homem circunda. 

Foto: http://revistaogrito.ne10.uol.com.br/page/wp-content/uploads/2013/07/2013_time100_yousafzai.jpg
Para Malala, sobrevivente de um ataque do Talibã em 2012 no seu país de origem Paquistão, enquanto estava na escola, a morte de suas amigas e bem como a vida que lhe deu uma segunda chance tem muito a nos dizer sobre tantas mulheres e meninas pelo mundo afora que ainda são cerceadas de direitos básicos como a educação e saúde feminina. Vários motivos podem levar a esses entraves, guerras, religião, ditaduras... Mas todos tem o mesmo intuito, barrar a força da mulher, mantê-las subservientes ao homem. 

O último levantamento da ONU nos dá o verdadeiro panorama do por que o feminismo ainda é uma questão urgente, assim como Ema diz em seu discurso, ela que pode usufruir de todos os direitos que lhe permitem viver com dignidade, assim ela desejaria ver todas as mulheres e meninas. 

Dados do Fundo das Nações Unidas para as Mulheres: 

SAÚDE 

Apesar do aumento na proporção de mulheres que receberam assistência pré-natal, a África Subsaariana sozinha registrou 270 mil mortes maternas em 2005, isto é, metade das mortes maternas no mundo. (pág. 34-35) 

EDUCAÇÃO 

Em nível global, a taxa de meninas em idade escolar matriculadas na escola primária aumentou de 79 para 86% no período de 1999 a 2007. Mas na África Ocidental e Central existia uma das menores taxas do mundo, com menos de 60% das meninas em idade escolar, matriculadas na escola. (pág. 52-53) 

As meninas representam 54% das crianças em idade escolar fora da escola (58% em 1999). A proporção de meninas fora da escola é maior nos Estados Árabes: 61%. (pág.54) 

TRABALHO 

Os salários das mulheres representam entre 70 e 90% dos salários de seus colegas masculinos. (pág.97) 

“O emprego vulnerável” – trabalho por conta própria e contribuição para o trabalho familiar – é predominante na África e na Ásia, especialmente entre as mulheres. Esses trabalhadores sofrem com a precariedade e falta de redes de segurança. (pág.87) 

As mulheres ainda são raramente empregadas em trabalhos com status, poder e autoridade, e em ocupações tradicionalmente masculinas. (pág. 90-91) 

A maternidade continua a ser uma fonte de discriminação no trabalho. Mesmo com a legislação protegendo a maternidade, muitas mulheres grávidas ainda perdem seus empregos, e processos nesta área são comuns nos tribunais. (pág. 104) 

PODER E TOMADA DE DECISÃO 

Chefes de Estado ou de Governo são cargos que ainda são quase que “imperceptíveis” para as mulheres. Em 2009, apenas 14 mulheres no mundo ocupavam estas posições. (pág.117) 

Em apenas 23 países as mulheres compõem uma massa crítica – mais de 30% – na câmara baixa de seu Parlamento nacional. (pág. 124) 

VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER 

As mulheres são submetidas a diversas formas de violência: física, sexual, psicológica e econômica – tanto dentro como fora de suas casas. (Pág. 130) 

Taxas de mulheres vítimas de violência física pelo menos uma vez na vida variam 12% a mais de 59%, dependendo de onde vivem. (pág.131) 

A mutilação genital feminina mostra uma ligeira diminuição na África. (pág. 135-136) 

MEIO AMBIENTE 

As mulheres nas zonas rurais da África Subsaariana são geralmente responsáveis pela coleta de água. Uma viagem de ida e volta para a fonte de água leva em média uma hora e 22 minutos em áreas rurais na Somália e uma hora e 11 minutos em áreas rurais na Mauritânia. (pág.144) 

A maioria das famílias na África Subsaariana e no Sul e Sudeste da Ásia utiliza combustíveis sólidos para cozinhar ou fogões tradicionais sem chaminé, afetando desproporcionalmente a saúde das mulheres. (pág. 147-150) 

POBREZA 

As famílias de mães solteiras com filhos pequenos têm mais probabilidade de serem pobres do que os pais monoparentais com filhos jovens. (pág.161-163) 

As leis existentes limitam o acesso das mulheres à terra e outros tipos de propriedade, na maioria dos países da África e cerca de metade dos países da Ásia. Elementos da desigualdade de gênero no que diz respeito aos direitos de herança foram identificados em 45 dos 48 países africanos analisados e em 25 dos 42 países asiáticos. (pág.169) 


A nova proposta de campanha lançada pela ONU para as mulheres em 2014, onde se chama a comunidade masculina a se unir contra as várias formas de violência à mulher, mostra qual o caminho o feminismo pretende seguir a partir de agora, ou a luta feminista. Este caminho é a união. 

No mundo atual as mulheres são alvejadas diariamente com várias ações nocivas à sua autoestima, identidade, tem sua imagem feminina relacionada a diversos produtos lhes renegando o papel de objeto e, mais, em grande parte do mundo o corpo feminino é sexualizado ou então tem seu corpo mutilado para que a mulher não sinta prazer algum em suas relações sexuais. 

Meninas são obrigadas a se casar em condições de escravas, são os chamados “casamentos servis”. Ano passado uma campanha Norueguesa chamou a atenção da comunidade internacional ao noticiar o casamento de uma bela menina branca de olhos azuis de apenas 12 anos com um homem de 37 anos. Todo o país se escandalizou e antes que atitudes fossem tomadas a campanha esclareceu que tudo não passava de uma mentira para chamar a atenção à realidade das meninas no Oriente Médio e África que são obrigadas a se casar nessas circunstâncias. 

No Brasil dentre os números alarmantes de violência sexual, doméstica e de uma sociedade extremamente machista (basta lembrarmo-nos das pesquisas do ano passado sobre como o brasileiro entende o estupro), caminhamos na sanção de uma nova lei a fim de proteger as mulheres vítimas de violência.O crime chamado de feminicídio (assassinato de mulheres) passa a ser considerado hediondo, dependendo apenas da sanção da presidente Dilma. A intenção é que as punições e as medidas preventivas se tornem mais efetivas, assim como a lei Maria da Penha trouxe uma diminuição de 10% dos casos de violência doméstica, pretende-se intimidar os agressores de forma mais eficaz. 

Links sobre esse texto: 

ONU para mulheres: http://www.unifem.org.br/